sexta-feira, 17 de julho de 2009
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
Levantar âncora
Há uma caixa de papelão aberta no meio do meu quarto, vazia, esperando que meus livros se desloquem da escrivaninha e se atirem nela. Gosto de objetos inanimados autônomos. Ainda não comecei a arrumar absolutamente nada, não por preguiça, mas simplesmente por não saber por onde começar. Odeio essa prática de ter que encaixotar minha vida para daqui a três semanas arrumar tudo de novo nas devidas estantes. Fazer as malas é uma das partes mais legais da viagem, mas encaixotar é um saco (com perdão do quase-trocadilho).
Como se não bastasse, tenho que terminar um relatório para amanhã (!!!), e depois de três horas criando raízes numa reunião mais enfadonha que tia-avó orando antes da ceia do Natal, devo conseguir a proeza de acordar cedo o suficiente para enfrentar a fila de inscrição, pela primeira vez no ano. Tudo isso porque há rumores de saída para o shopping na sexta. Bem, meu shampoo tem feito milagre da multiplicação até agora, mas não é bom abusar do santo. Vingança sacra em véspera de viagem é quase maldição. Portanto, vamos ao shampoo (é nesse momento que você se arrepende de ter saído de casa).
Na tentativa de ser uma pisciana mais organizada (que foi? Não vejo paradoxo algum!), apelei para as listas. Sim, no plural. Tentei fazer uma lista única, mas a discrepância entre itens me levou a uma segregação de ideias entre o necessário e o que chamo de menos essencial. Ficamos assim:
1) 1) Coisas de ordem prática
- shampoo
- lixa de unha
- fruittela
- elásticos e presilhas
- palavra cruzada (as empresas aéreas inventaram algo chamado conexão, uma espécie de concretização do tédio)
- trident azul
- ver o mar (de Salvador, porque o do Rio é gelado. Não que isso influencie na visão, mas enfim.)
2) 2) Coisas menos urgentes mas não menos importantes
- esfoliante
- cortar o cabelo
- transformador de voltagem
- sushi
- trocar as lentes dos óculos
- comprar estoque de fruittela
- sentir frio
- comprar caneta preta
3) 3) Coisinhas
- fondue de queijo
- sanduichão by papai
- arroz com pequi by mamãe
- olhar a caixa de correio
- ouvir o aprendiz de saxofonista da igreja ao lado de casa, às 7h da manhã!!
- puxar briga com meu irmãozinho de 1,85m e acabar apanhando, sempre
- morder Alice. Muito.
uhu.
terça-feira, 9 de junho de 2009
A saga continua
Sábado
Já acordei sem vontade de acordar. Mas tinha manteiga no café da manhã e isso muito me motivou. Ainda cedo fomos para o centro de Petrópolis, e a primeira parada já foi assustadora.
A Mansão da família Tavares Guerra, também conhecida como Casa Ipiranga, Mansão dos Sete erros e “A Casa mal assombrada” conserva sua estrutura e decoração originais, de cortinas douradas, lustres franceses, azulejos ingleses e outras velharias antiguidades. Os proprietários da casa devem ter seguido as medidas de conservação à risca, porque além do perigo eminente de ser esquartejado por tocar a cortina, até a poeira de lá parece ter 125 anos. Mas o lugar é bem interessante, bem como a ideia de memória passada pelo patriarca da família, mesmo com ácaros coloniais.
Petrópolis é realmente muito bonita, e não há como andar por lá sem imaginá-la nos tempos da corte. Ainda mais com o engarrafamento de carruagens da frente do Museu Imperial. Meu segundo ponto de parada foi a Igreja de São Pedro de Alcântara, localizada na Avenida Koëler. Desloquei-me pela nave vagarosamente, não exatamente por preguiça ou cansaço (por incrível que pareça), mas porque ouvia uma música, bem baixinho, que eu nem sabia de onde vinha, mas acalmava. Era uma espécie de canto gregoriano, creio eu. Alguém me tirou desse estado de quase transe para avisar que era hora de ir. Fiz um rápido sinal da cruz e voltei para o barulho do mundo.
Ainda não comentei o quanto a nossa guia era suspeita. Ela falava das coisas como se fosse contemporânea de D. Pedro II, e era ainda a principal suspeita do Mistério da Casa Ipiranga (dá até livro infantil). Chegamos ao Palácio de Cristal, que embora seja de blindex, é lindo. Foi lá que a colega de Matusalém comentou dos bailes que aconteciam no palácio, com certo saudosismo, relembrando as músicas “da nossa época”. Disse isso com tom de indignação, levando-me a crer que não foi convidada para o baile da Ilha Fiscal. Esses plebeus...
O Museu Imperial fica num terreno enorme. Não sei pra que tanto jardim para tão pouca casa. Ok, não tão pouca assim. A primeira coisa que visitei foi a varanda, onde fiquei meia hora sentada, esperando outro grupo sair. Fiquei impressionada com os tamanhos das carruagens. Sinceramente, aqueles bancos mal comportam um quadril tamanho 38, quem dirá aqueles vestidos armados da época. Aquilo desafia a física ou, no mínimo, minha compreensão de tamanho 38.
Enfim, o espetáculo. A noite estava fria e úmida em meio a todo aquele mato. O céu tinha um tom avermelhado, fazendo destoar o azul da torre da Catedral. Em frente ao portão do museu, esperávamos o início do espetáculo com música nos ouvidos e conversas aleatórias. A introdução do Som e Luz é algo quase Disney (embora eu nunca tenha ido à Disney): vozes estrondosas vindas das árvores (?), luzes verdes que só tornava tudo mais sombrio, sendo guiado por um dragão da independência, ou algo próximo. Vai ver era um lagarto. O espetáculo é lindo. E úmido. Portanto está faltando um elemento no nome, mas preferi não discutir. Ao fim, D. Pedro II virou herói e voltamos para o hotel.
domingo, 7 de junho de 2009
Pelas barbas do imperador
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Parece piada
Mas é minha casa. Minha família é estranha, como todas as outras. Divertida e cheia de conflitos, como a sua. Mas minha relação com meu pai é... no mínimo diferente.
E o telefone toca em um pacato lar conquistense.
Pai: alô
Bianca: Ooooi paaai! =)*
P: pai? Que pai? Pai de quem?
B: bem... (?)
P: você passa uma semana sem dar notícias, nem sequer ligou pra casa, e ainda quer ter pai?!
B: ah, é que meu tempo é difícil aqui, assim como o acesso ao telefone...
P: ... até que você precise de dinheiro e resolva ligar.
B: que absurdo! Eu não ligo só pra pedir dinheiro. Agora mesmo, estou ligando pra contar que vou viajar no fim de semana.
P: e daí?
B: daí que vou precisar de dinheiro. =)
P: é isso mesmo, eu sou um explorado, sirvo apenas para mandar dinheiro (Avião cai próximo a Fernando de Noronha), você não faz a mínima questão de ligar pra saber como estão as coisas (OEA revoga exclusão de Cuba), fico aqui abandonado, consertando as tomadas (?) (Bovespa cai 3,5%), mas trabalhar que é bom ninguém quer (Quebrei minha lixa de unha), é só me explorar , isso é que importa (...)
B: ... puxa.
P: mas isso vai mudar. Vou começar a sair com minha nova galera que faz trilha!
B: oi?
P: Pois é, vou fazer trilha de moto.
B: mas você não tem moto.
P: vou comprar essa semana
B: haoiahaoaiahoaiahaoaiahoaiahaoihoaiahaoiuaoahoaiahoia
P: ta rindo do que?
B: err... nada. Mas então, como estávamos falando, aquele dinheiro...
P: pra que você quer dinheiro?
B: pra viajar.
P: vai pra São Paulo?
B: não, Petrópolis.
P: fazer...?
B: tomar um chá na casa de Santos Dummont.
P: em São Paulo???
B: não, pai, em Petrópolis!!!
P: e quem me garante que essa tal viagem não é uma forma de extorsão alternativa?
B: ¬¬
P: P**a que P***u!!!!!!! Tomei um choque!
B: é o que dá sonhar que é eletricista. Deposita quando?
P: você não me convenceu ainda.
B: boa noite, pai.
P: tchau, até a próxima vez que precisar de dinheiro.
E até agora, nada na conta. Acho que estou de castigo. E por incrível que pareça, eles ficam mais severos quando saímos lá de casa. É que o efeito é maior, principalmente quando financeiro. Quanto à viagem, teremos notícias. Ou pelo menos assunto para o chá.
Nota: * expressão de cinismo.